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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Despedidas

Dizem que vai ficando mais fácil com o tempo, que custa menos. Mas não é verdade, não fica mais fácil e não custa menos. De todas as vezes que se repetem aqueles gestos, aquelas palavras de despedida, aqueles olhares de tristeza e a saudade que regressa nesse preciso momento ... de todas as vezes volta a mesma duvida, a mesma vontade de não ir embora. Voltam as lágrimas e a certeza de que não há no mundo nenhum outro lugar que se possa chamar de "casa" nem onde valha a pena viver. Não há nada que doa mais que dizer adeus ... Mas é por quem fica de lágrimas nos olhos por nos ver partir que vale a pena o sacrifício, é por quem fica que não se desiste.

One Love, sempre!

Tavira - digoeu.wordpress.com

P.S.: Já passou um ano ... que o próximo seja melhor, aqui por terras de sua majestade e por lá em terras lusas. 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Saudades do Natal

E pronto ... aconteceu o mesmo de sempre. Exactamente a um mês de eu fazer anos, começou a dar-me uma dor no peito por causa do Natal. Que saudades que tenho do Natal ... de tudo o que ele envolve e representa.

Vou saltar a parte em que estou aterrorizada por pensar que posso não poder ir passar o Natal a casa. =X

Às vezes acho que as pessoas não se apercebem o que o Natal significa. Eu própria não gostava muito dele antes. Tive aquela fase de adolescente revoltada em que o Natal não me dizia nada. Mas ... por algum motivo muito especial, a minha 2ª família (a família do D., portanto) mostrou-me um lado do Natal que eu desconhecia. Na minha família somos poucos (na verdade não somos, mas digamos que a minha família não é muito unida, o que simplifica bastante as coisas), por isso o Natal sempre foi uma coisa muito calma (e stressante porque a mãe quer sempre fazer com que tudo saia perfeito e não há nada perfeito no mundo, por isso havia sempre alguma confusão. lol) e não me fascinava por aí além ter de passar por todo o stress da vespra de Natal. Normalmente passava o dia na rua, com a maltinha toda, e depois do jantar corria para net, o grande mIRC. =) Mas depois o meu namoro com o D. reatou-se, as coisas ficaram mais sérias e pela primeira vez tive oportunidade de assistir ao Natal na casa dele. E aí percebi que a alegria e felicidade que aquelas pessoas sentem quando podem estar assim, todas juntas, vale por tudo. Então, comecei a pensar para mim o quanto é importante aqueles momentos que eu, a mãe, o pai, o cão e a avó, passamos juntos. Começamos a oferecer uma predinha ao cão também só para o vermos feliz a rasgar o papel; começamos a nomear um pai natal para distribuir as prendas de gorro vermelho na cabeça; comecei a ir com a mãe ao mercado todos os dias 24 de Dezembro, logo de manhã, onde encontramos aquelas pessoas que só vemos naquele dia, uma única vez por ano; começamos a preparar ementas de Natal com antecedência pro stress da mãe ser mais pequeno. E, principalmente, começamos a desfrutar mais da presença uns dos outros do que tudo o resto. É disso que tenho saudades. E é por isso que me sinto aterrorizada ... porque este ano há a hipótese de não poder passar por tudo isso ... há a hipótese de termos de ficar aqui os dois, sozinhos, sem as pessoas que mais amamos ao pé de nós.

Enfim ... deixemos-nos nos de coisas tristes. Falta pouco pro Natal e só quero ver luzes, musicas e embrulhos de Natal pelas ruas da capital Inglesa =) E continuar a sonhar com o nosso Natal perfeito, em casa, na nossa cidadezinha pequena, perto do que nos aquece o coração.

Um beijinho *

terça-feira, 9 de outubro de 2012

A história das "Bosses"

De tantas coisas que me tem apetecido escrever, decidi que hoje quero contar uma história que me é muito querida e que nada tem a ver com a minha vida em Londres (pelo menos, não directamente).

Há muitos anos atrás, no primeiro dia de aulas na escola primária de uma cidade pequena, uma menina viu entrar na sala de aula duas meninas gémeas, cada uma com o seu macacão com rosas grandes, um azul e a outro cor-de-rosa. Na sala de aula estavam outras meninas, umas que ela já conhecia, outras que ela nunca tinha visto. Uma delas era a menina que dava dentadas aos colegas no infantário. Mas entre os meninos e meninas que estavam entre os que ela não conhecia estava uma menina de cabelo preto, comprido com franjinha e um ar muito animado, e estava outra, também morena de fita na cabeça, muito magrinha. Nessa mesma escola mas numa turma diferente, estava uma menina linda, de cabelo encaracolado, personalidade selvagem e nariz empinado. =) Nesse momento elas não faziam ideia do que seriam na vida umas das outras, mas esse foi o dia em uma amizade especial começou.
Nos dias, meses e anos seguintes, o caminhos desse pequeno grupo de raparigas cruzou-se com o caminho de outras meninas: uma séria e determinada morena, com um nome esquisito, duas amigas que praticavam Vela juntas, a irmã de uma das velejadoras, uma rapariga loira e baixinha, a irmã de um rapaz muito giro e uma menina mais nova, rebelde e de um mundo diferente das outras.
Começaram a ser conhecidas como meninas mimadas, o grupinho popular da escola, o grupinho que conquistou os meninos arruaceiros da cidade, as meninas ricas que se misturaram com os meninos de um bairro sicail. E de tudo isso sirgiu-lhes a ideia de criar um "gang:" as Bosses!
As primeiras saídas à noite, as primeiras bebedeiras, os primeiros namoros, as primeiras desilusões, as grandes aventuras, todas estas coisas foram partilhadas por este grupo que marcou uma era, uma história e uma amizade (apesar de tudo) intemporal.
Houveram momentos, houveram festas, houveram músicas, houveram equipas de futebol, houve cumplicidade, houveram muitas mais pessoas a chegar e a partir. Houve tudo o que tinha de haver para se tornar inesquecível e marcar a passagem e o crescimento de um grupo que foi tão feliz enquanto durou.
As Bosses acabaram. Muita coisa correu mal, muita mágoa, muita dor. A maior parte das coisas ficou para trás. Muitas coisas não foram esquecidas, algumas não foram perdoadas, mas foram ultrapassadas. Cada uma seguiu em frente, cada uma num caminho diferente. Todas têm novos amigos e amigas, todas têm pessoas muito importantes na vida delas e todas lutam por futuros diferentes. Mas no fundo, há amizades que não morrem e as Bosses são a prova disso. Depois de tudo, umas mais unidas, outras menos, continuam presentes nas vidas umas das outras. E continuam todas nas lembranças e nos corações umas das outras.

Esta é a história contada do ponto de vista da primeira menina sentada na sala de aula da escola primária: eu.

De todas as coisas que me têm passado pela cabeça, esta é uma das que me tem feito sorrir. Não só pelas pessoas que fazem parte desta história, mas por saber que existem tantas pessoas importantes na minha vida e que fizeram parte da pessoa que sou hoje. E mesmo sabendo que todas essas pessoas pensam agora abandonar o nosso país, a minha única vontade continua a ser voltar para casa e para onde já fui tão feliz ao lado dos meus One Love 

Beijinho a todos e até ... um dia destes. *


sábado, 4 de agosto de 2012

O que me faz falta:

Tavira, Sol, Praia, Sal, Ilha, Noite, Caipirinhas, Conduzir, Gargalhadas, Mamã&Papá, Xiri Beach Bar, Dançar, Piscina, Copos, Barbecue, Bronzeador, Sangria, Peixe, Arraial, Mergulhos, Compras, Festivais, Taska Madeira, Crepes, Português, Cinema, Onix, Jantaradas, Luar, Cantar, Amigos, Sem Espinhas, Izzie, Passeios, FotografiasAbraços, Nora Velha, Fado, Caminhadas, Barril, Ubi, Liberdade, Faro, UAlg, Associativismo, Dinheiro (lol), Calor, Pasmaceira (lol outra vez), Viagens, Távila, Parque de Campismo, Picanha, Paz.

sábado, 19 de maio de 2012

Someone else's life

Sempre pensei no "Querido, mudei a casa" quando ouvia esta música. Acho que foi sempre por nunca ter dado atenção à letra. Mas há dois dias atrás ouvi com atenção e percebi que diz tudo aquilo que sinto e que quero dizer, mas que nem sempre sei como. Sinto que ando a viver ... a vida de outra pessoa.

Eu já não sou a mesma pessoa, sou outra bem diferente. Mas não deixo de sentir falta das pessoas que me são importantes. O amor que sinto por elas continua igual, dentro do meu coraçãozinho. E é por elas que sinto sempre esta vontade de ir para casa. Se pudesse ... só queria abraçá-las, ouvi-las, admirá-las. Porque é isso que realmente faz de mim aquilo que sempre fui e que agora parece que estou a perder ... Porque as mensagens e recados já não são suficientes, não é a mesma coisa. E começo a precisar de um bocadinho mais que isso.

Fica aqui, então. Enjoy it.

                                                                           Michael Bublé - Home


... But I'm not going home ... soon.

domingo, 13 de maio de 2012

Mesmo quando tudo corre bem ...

... as saudades apertam.

Tudo tem corrido dentro do esperado. Trabalhinho nuns dias, curso nos outros (às vezes coincide trabalho e curso no mesmo dia, o que me deixa mortíssima, mas pronto), casinha que adoro num sitio muito bom (pelo menos para recém-chegados a Londres e com pouca capacidade financeira), amiguinhos sempre perto, projectos em andamento, tudo! Mas ... há sempre um mas. Às vezes todas estas coisas que correm tão bem, fazem-me sentir triste e cheia de saudades.

Não é só por saber que em Portugal está tanto calor e que toda a gente está na praia; não é só por saber que todos os meus amigos vão aproveitando o início de mais um Verão em festas, noitadas e prainha, enquanto eu ando aqui a ser massacrada pela chuva; não é só por saber que mais uma Semana Académica de Faro passou e eu não estive presente; não é só por saber que o conforto que tenho aqui não é nada comparado com o que tenho lá; é por não poder partilhar com "aquelas" pessoas tudo aquilo que estou constantemente a viver. Todos os altos e baixos, todas as certezas e dúvidas, todos os sorrisos e lágrimas. Por mais que conte aqui, ou fale por mensagens e facebook, nunca é a mesma coisa. A distância está sempre presente, e às vezes torna-se mais forte quando a vida começa a correr melhor, porque apesar de melhor às vezes parece que não faz muito sentido lutar para ser feliz e não poder partilhar essa felicidade, essas vitórias com as pessoas que nos são tão importantes.

Anyway, não pensem que por dizer tudo isto estou triste. Não estou, de todo. É só mais um dos meus desabafos. Afinal, os tugas são sentimentais e eu não sou diferente. =)

A nossa M. já chegou e o Johnny (the Dog) também! O A. e o C. vieram trazê-los e a viagem de carro desde o Algarve até Bethnal Green foi uma aventura! Mas foi muito bom tê-los cá e é bom saber que agora já estamos cá todos, os 5 inquilinos da super-casa! =P Os primeiros dias não vão ser fáceis para a M., mas acredito que vai correr tudo bem e que ela se vai habituar rápidinho =) Afinal, está finalmente com o S. e nós estamos cá para ajudar e fazer companhia, também.

Hoje foi dia de passeio pelo mercado de Brick Lane o que valeu bem a pena! A comidinha é fantástica e as bancas têm todas coisas lindiiiiissimas! E lá tive direito a prenda do namorado e tudo, que me ofereceu uma daquelas bandoletes pretas/metálicas com uma pena aplicada de lado. Adoro! São estas coisinhas que nos fazem sentir bem em Londres. A mistura das culturas,das raças, das tradições e das coisas bonitas e originais. =)



E pronto. Amanhã é dia de trabalho outra vez e o tempo nesta terra voa. Penso sempre em fazer mil e quinhentas coisas mas nunca consigo. Esta semana até no Domingo vou trabalhar. Onde é que já se viu?! (até parece que em Portugal não trabalhava aos Domingos nem nada) =)

Enfim. Um beijinho a todos, cheio de saudades *

quinta-feira, 15 de março de 2012

Lealdade

Ontem escrevi isto que vos vou mostrar, ao som da múscia que também vou partilhar e que muito me faz chorar, mas que não consegui nem tive vontade de publicar ontem: 





"Todos os dias tenho vontade de vir cá escrever. Várias vezes no mesmo dia presencio coisas que gostava muito de partilhar aqui, mas não consigo actualizar facebook e blog a meio do dia, no meio da rua porque o meu misero telemóvel é do século VIII e não há dinheiro pra coisas melhores. Depois, quando chego a casa à noite, o meu humor e a minha disposição nunca são os melhores. E a maior parte das coisas divertidas que poderia querer partilhar, simplesmente evaporam-se da minha mente. Então, deixo de ter motivação para cá vir.

Mas hoje estou aqui porque sinto um aperto no peito (aquele tipo de aperto que parece que até nos tira o ar) e preciso de pôr cá para fora o que estou a sentir. Não sei se já disse isto aqui antes ou não, mas vou (re)dizer: não me importo que as pessoas pensem mal ou não compreendam as lamentações dos outros. Eu sou do tipo de pessoas que adora escrever mas só o consegue fazer quando está triste. As palavras fluem melhor, as ideias ficam mais claras e definidas na minha cabeça e é mais fácil ser euu mesma. Como tal, não preciso de criticas ou más interpretações. Se for para me magoar mais, por favor, não digam porque é mesquinho.

Hoje não consigo aguentar mais coisas mesquinhas, mais coisas que me façam sofrer. Porque os dias têm sido muito tristes aqui. Estou contente por ver as coisas a caminharem (ainda que a um passo muito lento) para algo melhor, mas não consigo sentir-me feliz. Não consigo fechar os olhos e sorrir por sentir que "é isto". A maior parte das vezes tenho até de evitar fechar os olhos para não cair nenhuma lágrima. Sinto falta do que é importante, do que sempre fez parte de mim e me foi tirado (engraçado dizer isto assim porque fui eu mesma que deixei essas coisas que agora digo terem-me sido tiradas, mas pronto). Sinto um aperto tão forte cá dentro do peito que chega a doer. E as músicas que me tocam, as palavras que digo ou oiço das pessoas que gosto e a falta de momentos verdadeiramente bons, não ajudam em nada. Sinto que desde que vim embora, todas as desgraças que nunca aconteceram enquanto estive perto se lembraram de acontecer agora que estou longe. E mata-me saber que não posso estar onde devia e queria, agora.

Não me apetece falar, caso contrário não precisaria de escrever."

Hoje li isto, e a minha vontade de falar foi mais forte que nos outros dias.

Já se passaram 2 meses desde que vim embora. Já se passaram quase 3 desde que escrevi aquelas palavras num dia em que, mais que inspiração, tinha alegria dentro do coração. Hoje não sei muito bem onde está essa alegria. Não deixei de rir nem de sorrir, porque prometi à Dona O. (mãe da minha querida A.M.) que nunca o faria, mas na verdade não o faço com verdadeira felicidade. Não vou dizer que estou pior do que estava aí, porque na verdade sinto que estou a lutar e que essa luta me está a levar aos poucos (em passos bem pequeninos, mas passos) a algum sítio. Mas pensei que estaria melhor. Pensei que seria mais fácil, mais compensador, mais motivador, e não é.

Mas continuando, reler tudo aquilo que escrevi fez-me perceber o quando eu amo, o quanto eu admiro e respeito as coisas que me são importantes. Consegui encontrar nas minhas palavras a carecteristica que mais gosto em mim (e não, não estou a ser convencida nem preciso de ser modesta) : lealdade.

Eu sei que por aí existem muitos que não me consideram fiel, leal e verdadeiramente comprometida. Não os posso recriminar, pois lá terão as suas razões. Mas eu sei, eu sei, que isso não é verdade. Eu sei quem sou e como sou, e sei que nunca (jamais) serei capaz de virar as costas ou faltar ao respeito a alguém que ocupe um lugar no meu coração e na minha existência. Todos os erros que cometi no passado não definem a pessoa que sou e a minha dedicação a quem me completa é infinta e interminável. Eu nunca esqueço, sabem elas bem, que me lembro até das roupas que usamos em cada ocasião especial há 10 ou 15 anos atrás. Eu nunca viro as costas, nem mesmo quando sou magoada por quem mais amo. E nunca deixo de gostar mesmo quando simplesmente me apercebo que as pessoas deixaram de se lembrar de mim. Não levo a mal, porque a vida é assim mesmo, é feita de momentos e as pessoas que presenciam ou fazem parte desses momentos são as pessoas que passam a ser lembradas mais facilmente. E eu já estou longe de algumas das pessoas que amo há muito tempo, há bem mais de 2 meses atrás.

Anyway, o bom de tudo isto é que a minha adoração por tais seres nunca deixa a minha memória distorcer-se. Posso mesmo dizer que desde que vim para cá as minhas memory skills have been improved significantly. Como diz a M., eu treino a minha memória ao lembrar-me de gente que está tão longe (temporalmente) e com quem já mal mantenho contacto.

Enfim, acho que com a gripe que estou a chocar não consigo puxar mais pelas palavras. Lá está, o que ganhei em memória vou perdendo em writing skills, mas pronto. Ninguém é perfeito.

Palavra especial para alguém querido. "Só quero que fique bem, que se ponha boa e que não sofra mais. Beijinho grande para si, Avó G."

Beijinho a todos e até breve.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Saudades de "Portuguesisses"

E pronto, cá estou eu outra vez.

Mais um Sábado, mais um fim-de-semana e daqui a nada já lá vai um mês. Um mês ... nem acredito que sobrevivi um mês aqui. Não sei se o balanço é positivo ou negativo. Talvez seja um pouco de ambos. E talvez seja normal eu sentir tanta vontade de ficar aqui como de ir embora. No mesmo dia sinto as coisas, e todos os dias tem sido assim.

Hoje fui a Ladbroke Grove com o M. e com o Papú (posso dizer o nome dele porque não é o nome verdadeiro, logo não faz mal). O Papú tinha uns assuntos de trabalho naquela zona e nós os dois, cunhados, aproveitamos para ir à descoberta dos Tugas de Notting Hill. E que bem nos soube tomar um pequeno almoço tipicamente Português =) Um bolo-de-arroz e uma meia-de-leite clarinha; uma bola de berlim e um galão bem escuro. E foi uma delícia! O pequeno-almoço foi tão típicamente Português que tivemos o previlégio de o tomar ao lado de uma portuguesa parva e arrogante que só sabia ser mal-educada com a empregada do café. Enfim.

Lá saímos do café Lisboa e atravessámos a rua para entrarmos na Delicatessen Lisboa. Para quem não sabe, significa qualquer coisa como Mercearia. E que bom que foi. Comprei Cerelac, Chocapic, caldos Knorr, leite condençado, côco ralado, pasta de alhos e pimentão e Compal! =D Foi caro, sim, muito caro. As coisas portuguesas aqui são ainda mais caras que o normal, mas valeu a pena.

E agora aqui estamos nós, na nossa pseudo-sala que na veradade é o quarto do M., do P. e do Papú, a ver o jogo do grande Benfas e a tentar manter a nossa nacionalidade dentro da nossa casinha =)



Os dias têm mesmo sido difíceis ... mas vamos deixar essa conversa para outra dia. Ou para daqui a umas horas, não sei. Provavelmente não vou conseguir evitar escarrapachar aqui as ângustias que me têm invadido últimamente. Mas veremos.


Um beijinho e até já.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

As saudades e o dia-a-dia

Entramos hoje na nossa 2ª semana em Londres.

Não tenho tido muito tempo, cabeça nem paciência para vir aqui. Vontade até tenho, normalmente quando ando na rua e me dá vontade de partilhar algumas das coisas que vejo. Mas quando chego a casa e abro e-mail e facebook, a tristeza apodera-se de mim e nada feito. Mas ontem recebi um pedido especial, para que nunca deixe de escrever o blog porque é uma forma de confortar quem se preocupa comigo, por isso aqui estou eu.

Já comecei as minhas aulinhas de inglês. Engraçadas. É uma turma aí de 15 ou 16 pessoas, todos estrangeiros e cada um de seu canto do mundo. Portuguesa sou a única. Há 4 ou 5 brasileiros, 3 colombianos, 1 turco, 1 israelita, 1 raparida da arabia saudita, 1 chinesa, 1 japonesa, 1 italiana e 1 rapaz novo que não sei de onde vem. Mas ele conhece o SLB e o FCP, logo já o acho uma pessoa muito culta. LoL! Já a rapariga chinesa pediu-me desculpa por não saber onde fica Portugal. Eu e um dos brasileiros lá lhe estivemos a explicar mas ela ficou muito chocada por saber que o meu país tem o mesmo número de habitantes que a cidade de Londres. Interessante né? Saber que em Portugal só há pessoas suficientes para encher uma única grande capital europeia.

Levanto-me todos os dias as 6:45 da manhã, para apanhar o tube em East Ham, trocar em Mile End  e seguir até Holborn. São +/- 35 minutos, é um instante. O que custa é habituar-me a ser uma sardinha enlatada. É um sufoco! Às vezes até me dá vontade de rir, de andar sozinha no meio daquela gente toda. Gente adulta e independente, habituada a um estilo de vida muito avançado e evoluido do que eu. Aqui, eu sou a típica menina da aldeia acabada de chegar à cidade grande. Mas ninguém parece perceber que eu me sinto um bocadinho peixe fora de água. Eu sou mais tipo camaleão. Observo, absorvo e passado pouco tempo consigo agir de forma igual a eles, logo acho que me tenho safado muito bem =)

O maior problema são as saudades. Há uns dias escrevi no facebook aquilo que agora partilho aqui: Saudades, é isso a que me resumo agora. Chego mesmo a sentir saudades da cidade que continuo a adorar mas da qual quero estar longe (e sim, continuo a querer estar fora daí). Sinto saudades do ar, do mar, da praia, dos barcos, das imagens. Aqui é tudo bonito por ser diferente, mas fazem-me falta aqueles sitios especiais. E fazem-me falta os amigos. Aqueles amigos que fazem parte de mim, esteja eu onde estiver. Aqueles amigos que sempre sempre estiveram por perto. Aqueles amigos de quem não faz sentido estar afastada. Mas é também por esses amigos que aqui estou. Pela força que me deram e me dão constantemente. É para os orgulhar que aqui estou. E é para poder ajudá-los se for preciso, que aqui tenciono manter-me. Não posso ir embora sem a A. vir tirar o cursinho de Inglês. Não posso ir embora sem o gang das Sofias (lolol C. e C., como é óbvio isto é para vocês) vir partilhar experiências em conjunto. Nem posso ir embora enquanto alguns amigos precisarem de ajuda para "seguir em frente".

Também o faço por mim, obviamente. Foi por mim e pelo D. que vim para cá. Porque se há um sítio onde as oportunidades ainda não se esgotaram, Londres é esse sítio. Mas essas oportnidades ainda estão à espera de ser encontradas, e até lá, nós por cá continuaremos. =)

Deixo aqui uma imagem especial. Não que seja bonita, ou minimamente artistica. Mas que retrata o sitio onde vivemos, num dia perfeitamente normal onde nada de especial aconteceu. Sou apenas eu a transmitir-vos o que os meus olhos vêm agora, por aqui.



Beijinho a todos e "até breve" *